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Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América
por Padre Richard John Neuhaus
Presidente do Institute on Religion and Public Life, Editor da revista First Things e Membro do Conselho Editorial do CIEEP.
Temos tido uma animada discussão entre os jovens no nosso escritório sobre a moralidade de ir assistir o sucesso de bilheterias "Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América". Vi uma série de trailers do filme na televisão e confesso que ri muito antes de pensar se deveria rir.
Reflexões pesadas sobre o humor, como nos tratados acadêmicos, tendem a ser deprimentes. Mas estou convencido de que há vários pontos que merecem atenção e devem ser ressaltados. Por exemplo, há a resenha de Christopher Hitchens na revista “Slate”: “Ao ir fundo na grosseria, posso também acrescentar que qualquer ato que dependa tanto do escatológico tem algum tipo de problema. Borat, o filme – e Borat – se baseia num humor escremental desde as primeiras cenas. Isso não é sem graça só porque é infantil, repetitivo e não sabe quando deve parar. É sem graça porque a repugnância causada pelas fezes é universal e automática e, portanto, muito fácil de explorar. Isso é especialmente verdade quando, numa imitação barata de Luis Buñuel, nosso herói decide iniciar o assunto não mencionável na mesa de jantar (para ser honesto, ainda estou desconcertado com a relativa compostura da senhora da Sociedade Birmingham. Se não estivesse tentando mudar de assunto, diria que admirei sua fleuma.)”.
Outros notaram que Borat, assim como Michael Moore com suas táticas de entrevistas agressivas, exploram as pessoas que estão simplesmente tentando ser agradáveis. A amabilidade tão típica dos americanos é algo para deboche, apesar de, no geral, a amabilidade ser preferível à grosseria. O argumento é, entretanto, que Borat não precisava debochar tanto da amabilidade das vítimas, retratada como burrice e intolerância. E há as reclamações dos entrevistados de que Borat ou os produtores do filme, na verdade, mentiram a respeito do que estava sendo pedido a eles para tomar parte.
Já tenho questões morais mais do que suficientes para ocupar meu tempo, logo, não creio que me alongarei muito em Borat. Mas fui convencido a não somar mais dez dólares ao caixa desse filme. Na verdade, não creio que esse argumento seja persuasivo, já que não vou a um cinema há muito tempo.
Poderia acrescentar que David Brooks fez uma observação interessante sobre o fenômeno Borat em sua coluna, num artigo chamado “O auge do esnobismo”. Em suma, Sacha Baron Cohen, o ator inglês que criou e encenou Borat, é uma pessoa que serve a propósitos escusos. “Cohen entende que quando você diz a platéias socialmente inseguras que elas são superiores aos outros cidadãos não há necessidade de ser sutil. Também entende que qualquer insinuação de estar questionando pressupostos culturais da audiência – seja por ridicularizar as pretensões de alguém numa cafeteria da rede Starbucks ou num Supermercado – fatalmente desfigura a aura auto-congratulatória do empreendimento”. No seu desrespeito aos americanos comuns e essencialmente decentes, diz Brooks, “a cultura popular tem decaído das ‘As vinhas da ira’ a Borat, o magnífico”.
Muito bem observado. Apesar de alguns recordarem que a versão cinematogáfica de “As vinhas da ira” (1940), do diretor John Ford, tem sua própria versão de esnobismo, com um mundo proletário de Tom Joad, interpretado por Henry Fonda, sendo resgatado pelos sempre-tão-iluminados acampamentos que estabelecem a justiça ao impor seus esquemas coletivistas. Borat pode ser um exercício de esnobismo, mas ao menos não é propaganda comunista.
Tradução de Márcia Xavier de Brito
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