Muitas pessoas têm uma compreensão errônea da compaixão pelos mais pobres. Atualmente uma debilitante cultura paternalista existe nos países que adotaram, em algum grau, o modelo de bem-estar social. Muitas pessoas estão acostumadas a ver a pobreza e a compaixão de forma limitada. Por fim, devemos enfrentar não uma pequena mudança, mas a superação do velho paradigma. Aqueles que trabalham no setor privado, em quem as novas responsabilidades do bem-estar social irão recair, devem começar a adotar as seguintes três perspectivas.
A primeira delas é que não podemos mais acreditar que a simples assinatura de um cheque satisfará o chamado à compaixão. Os pobres pedem muito mais que nosso dinheiro. Devemos começar a fazer sacrifícios maiores em relação a nosso tempo, forças e talentos. Devemos ir de encontro aos pobres, ir onde eles moram e conhecer a pobreza deles para ajudá-los a sair dela. Nas nossas tentativas de ajudar os que sofrem os efeitos da pobreza, o dinheiro deve ser o fator menos importante.
Outra atitude que deve mudar é nossa tendência a acreditar que, como indivíduos, não podemos dar uma contribuição significativa. Quando nos deparamos com uma pessoa sem teto, a tentação é pensar “O que eu poderia fazer, já que tenho recursos limitados e não tenho experiência?” Então continuamos simplesmente a dar dinheiro. Precisamos repensar essa resposta e considerar outros modos de contribuição, talvez como voluntários num abrigo privado ou, talvez, criando um abrigo onde não existe nada desse tipo, ou até mesmo conversando com essa pessoa sem teto, tratando-a um ser humano, e perguntando o que eles verdadeiramente precisam. Essa é uma abordagem mais radical porque requer que ouçamos os pobres e permitamos que eles se tornem parte da solução – e não o alvo de nossa piedade.
A terceira atitude que devemos adotar é a de parar de ver o pobre como incapaz. Uma das falhas mais flagrantes nos atuais programas de governo é a premissa oculta de que o pobre sempre permanecerá pobre. Ao admitir que algumas pessoas sofrem de algo mais que os efeitos da pobreza, algo que os impede de se tornarem membros produtivos da sociedade, muitos daqueles que recebem assistência governamental podem contribuir para a elevação de seus próprios padrões de vida. Os próprios pobres tem de ser parte da solução de seus problemas. Isso requer algum nível de participação e responsabilidade por parte dos indivíduos que oferecerão oportunidades de algo além de dinheiro e emprego, eles deverão oferecer a oportunidade de auto-estima.
Essa é a beleza do princípio de subsidiariedade. Esse princípio nos aconselha a começar com uma pessoa de cada vez, uma família de cada vez, a começar por aqueles que nos são mais próximos. Os pobres serão recuperados e chegarão a ser pessoas inteiras somente ao transformar suas vidas e a vida de suas famílias, e não por receber um alívio material temporário para a pobreza material por meio de esmolas dadas por programas impessoais de governos.
Tradução de Márcia Xavier de Brito
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14 de fevereiro de 2007
Carta aberta ao João: o mártir-mirim da vida por Dom Antonio Augusto Dias Duarte Eu pensei, João Hélio, que se as autoridades federais, estaduais e municipais, se os juízes e ministros dos tribunais superiores de nosso país não abrirem bem os olhos, a sua terrível morte “acabará em pizza”. Seria mais uma enorme desilusão para todo o Brasil, se você fosse mais uma notícia de jornal que não deu em nada, como já houve com crianças e jovens mortos pela violência antes de você.